Novas experiências

Artista x público
No último semestre de 2011, para minha surpresa, algumas professoras de escolas de ensino infantil e fundamental me procuraram - o objetivo delas era o mesmo: romper mitos criando uma aproximação do público com o artista. O argumento delas também foi o mesmo, além da intenção de valorizar e difundir a produção artística local disseram que "as crianças mitificam a imagem do artista e não imaginam que eles poderiam ser acessíveis".
Aceitei os convites e no mês de setembro visitei duas escolas públicas apresentando meu trabalho para crianças de 7 à 9 anos de idade. Gostei de conversar com eles, notar o quanto estão abertos para propostas artísticas e ouvir as todas suas colocações. As crianças de ambas escolas demonstraram muito carinho e respeito tanto em relação a minha pessoa quanto pelo meu trabalho. Foi interessante ver as reações diante das imagens de diferentes trabalhos, sentir como se interessavam pelo assunto e ouvir perguntas pertinentes através das quais buscavam aprofundar seus conhecimentos.
Atendendo à pedidos forneci imagens de obras para desenvolvimento de atividades em sala de aula. Chegaram a mim comentários de que, para o final de ano, na Escola do Loteamento Amizade organizaram uma exposição com releituras de meus trabalhos. Não sei se fotografaram, mas fiquei muito curiosa para ver os resultados.
No mês de novembro visitei o Colégio Jangada, onde participei de uma atividade de pintura com crianças do ensino infantil. Uma experiência completamente diferente. Primeiro as crianças tiveram contato com uma de minhas obras. A experiência deles era completamente tátil. Apesar de arregalarem os olhos não conseguiam se expressar verbalmente por conta da idade e pouco foi o retorno que obtive ao tentar desenvolver um diálogo sobre cor. Pouco tempo depois a professora entregou telas para que executassem suas próprias pinturas. Apresentei a eles algumas possibilidades plásticas que esses materiais permitiam e recomendei que começassem a pintura pelas bordas e preenchessem todo o fundo antes de executar a pintura. Pode parecer muito para esses pequenininhos mas, não é que muitos conseguiram? Todos pintaram a tela inteira independente da maneira que conseguiram fazer isso, usando pincel ou as próprias mãos. Difícil para eles, evidentemente, era definir o momento de parar. Vi a professora tomando essa decisão por eles ao retirar os quadros sem consentimento das crianças, fiquei com um pouco de pena mas, sem essa atitude provavelmente a decepção delas posteriormente seria outra.